Na actualidade em que nos encontramos, muitas são as situações em que a denominada “teoria do bandido” entra em cena, encarando apenas um actor figurante, cujo rosto nem sequer é observado, por parte da séria plateia. A explicação da teoria pode ser um pouco estranha, pode ser mesmo considerada totalmente irrealista, mas eu acredito que ela existe! Ora, para explicar da forma mais correcta esta minha teoria, terei primeiro de expor perante o meu fiel público, as minhas convicções morais e sociais sobre os dogmas da sociedade da qual fazemos parte.
A sociedade portuguesa, neste presente actual, pouco ou nada evoluiu em relação aos primórdios da última década do século XX. Continua presente a soberania de uma sociedade egocêntrica, extremamente conservadora, que não olha a fins e a meios para fazer valer a sua vontade e ideais. O senão desta visão elitista da sociedade, é o facto de apenas uma dada porção de indivíduos serem detentores de um estatuto intocável mesmo até para a intransigente regente dos valores morais. Sendo nós parte desta sociedade, e não pertencendo ao grupo de intocáveis, estamos constantemente a ser confrontados pela possibilidade de sermos alvos da desaprovação da sociedade. Podemos mesmo assumir uma postura de tranquilidade e despreocupação face a quem observa e quem tem conhecimento sobre as nossas acções, esse é um direito de que podemos usufruir livremente, mas que poderá ter as suas consequências. É neste aspecto que entra em cena a “teoria do bandido”.
Existem certos valores e elementos que moldam a nossa personalidade, e nos caracterizam. Valores de carácter, credibilidade, honestidade, de honra, entre outros. É com base nesses mesmos valores, que agimos, juntamente com os nossos ideais de vida, ou mesmo até com o nosso próprio sentido de justiça. Mas o que nos define como humanos, o produto do nosso crescimento, educação o desenvolvimento do nosso intelecto (neste caso os nossos valores, princípios etc.), irá ser por ventura, um dos pontos em que seremos vulneráveis, e onde iremos sofrer mais ataques ao longo da nossa vida.
Imaginando por exemplo uma qualquer situação, em que as nossas convicções entrem em colisão com os pseudo – princípios de uma determinada sociedade, essa, facilmente manipulável por indivíduos que caracterizei á pouco como sendo intocáveis, irá exercer da sua soberania e utilizar (grande parte das vezes) a mentira como arma para denegrir o carácter e a personalidade da pessoa em questão, fazendo deste modo, parecer aos olhos de todos os seus dogmáticos membros, um bandido, enquanto na realidade existe apenas, uma pessoa com diferentes perspectivas. Como é óbvio, a imagem que temos numa dada sociedade, não é motivo de preocupação da nossa parte, e eu também concordo que não deve ser. Devemos ser sempre fiéis aos nossos ideais e princípios. O que condeno neste caso, são as consequências que surgem por parte da posição conservativa, dogmática e manipuladora da sociedade, quando decide por diversas razões (podem ser de natureza étnica, profissional, cultural ou mesmo religiosa), atacar e forjar os valores de carácter e ideais de certas pessoas.
As consequências irão continuar a sucederem-se. O sistema judicial irá actuar em conformidade com a imagem e credibilidade que essa pessoa tem na sociedade. Uma vez denegrida essa credibilidade a pessoa não terá mais valor para o sistema judicial, e a seu testemunho irá ser de pouca relevância. Quantos assassinos irão continuar livremente, apenas porque a única testemunha do crime era uma prostituta? Quantos traficantes de droga sairão impunes, pelo facto da testemunha ser um toxicodependente? Será que é a pessoa que se senta no lugar das testemunhas, que tem o seu carácter denegrido pelos valores morais da sociedade, ou será que quem se senta no banco dos réus, tem a sua credibilidade, estabelecida e aprovada pelos padrões da mesma sociedade? Acho que qualquer uma destas possibilidades, ou mesmo a existência de ambas em conjunto, caracteriza e define esta minha teoria à qual chamo “teoria do bandido”.
Cumprimentos,
Rui Azevedo