Mentiras distorcidas

Existem verdades, verdades absolutas, convenientes, temporárias, fictícias, enfim, verdade é uma definição que pode ser sucedida ou precedida de infindas denominações, mas o seu valor real irá sempre permanecer. Uma verdade é uma verdade, por mais palavras que se usem para dar-lhe forma, esse facto estará sempre consumado. Uma mentira porém, analisando esta questão através deste meu conceito sócio cultural, requer sempre um ligeiro atenuante. Por mais grave que a mentira seja, nunca será empregue, por parte do mentiroso, uma expressão que traduza a verdadeira dimensão da mesma. Uma forma minimizada da mentira é instintivamente divulgada, em ordem de proteger o carácter psicológico do mentiroso (uma questão de vergonha, orgulho, ou mesmo medo de uma consequência posterior, interagem instintivamente ou mesmo até deliberadamente em prol da pessoa).

 

Assim como, instintivamente ou deliberadamente, um indivíduo minimiza uma mentira, a sociedade por seu lado, exercendo o seu pseudo – estatuto de regente absoluto dos deveres e obrigações morais, irá ampliar o verdadeiro valor da mentira. Qualquer que seja esse ampliar da mentira, o propósito será sempre o mesmo, o exemplo. Transparecer a imagem de uma sociedade empenhada, dotada de ordem e convicções, e divulgar o aviso, para futuros casos semelhantes.

Concluindo esta minha pequena abordagem sobre esta temática (ainda não quero explorar o “conceito/estatuto” sociedade, talvez numa próxima oportunidade o faça com mais detalhe e especificidade), existe, embora muitos de vós não partilhem desta opinião, mentiras distorcidas. Nunca chegamos a saber a verdade sobre uma mentira, apenas a versão distorcida da mesma.

Rui Azevedo

2 Respostas para “Mentiras distorcidas”

  1. Sandra Tavares Diz:

    Tomei a liberdade de deixar neste espaço a minha opinião sobre o assunto acima exposto.
    Antes de mais, muitos parabéns pela estrutura do texto, vocabulário usado e encadeamento de ideias, que, ao contrário do que disseste em jeito de auto-crítica, está muito bem feito! Como sempre um vocabulário cuidado mas sem nunca cair no exagero, nem no ridículo. De forma simples, mas sempre ponderada, expões sempre o que te vai na cabeça e fazes as delícias do leitor!
    Mas passando ao contéudo do texto, deixando a estrutura um pouco de lado, tenho a dizer que agora sim percebi perfeitamente a ideia das mentiras distorcidas.
    De facto, uma verdade é sempre uma verdade, já uma mentira é contada de diversas formas, conforme a utilidade da mesma para quem a conta e no fim nem se sabe muito bem (ou não se sabe mesmo!)como é que ela começou.
    No entanto, há duas questões que te coloco, na esperança de eventuais esclarecimentos.
    A primeira passa pela parte em que dizes e passo a citar “Existem verdades, verdades absolutas, convenientes, temporárias, fictícias…”, isto não está a contradizer toda a ideia presente no título e no resto do texto? Porque se falas em verdade como algo absoluto e factual, algo que aconteceu num determinado momento e local, algo real, algo “palpável”, então como podes classificar uma verdade de conveniente, temporária,fictícia,(…)?
    A minha segunda questão é a seguinte, uma mentira ao ser contada por várias pessoas, não acaba por se tornar uma verdade para as mesmas (excepto, claro está, para quem teve a iniciativa de a inventar), como se de facto correspondesse à pura realidade? Ou seja, o limite entre a verdade e a mentira não será um pouco ténue, nomeadamente quando uma dada situação passa pela boca de vários intervenientes? Não estão estes a contarem o que têm para si como verdade, como a única que conhecem?
    E assim termino o meu comentário, parabenizando-te novamente pelo óptimo texto que escreveste!
    Beijão da Sandra Tavares

  2. Rui Azevedo Diz:

    Optei por aquele início, porque segundo este meu ponto de vista, as pessoas utilizam quer determinantes quer adjectivos, para tentar expor melhor os seus ideais (neste caso, partimos do principio que são verdades) o que eu me limitei a fazer, (embora possa ser mal interpretado) e ainda bem que chamas-te a atenção a esse aspecto, é dar a conhecer alguns exemplos com que as pessoas catalogam as suas verdades. Nomeei alguns exemplos, para depois dizer que segundo o meu ponto de vista, qualquer que seja o complemento que sucede ou antecede a verdade, esta terá sempre o mesmo valor. (Não sei se me fiz entender muito bem :S). Quanto á segunda questão, tb concordo com o que disseste, “uma mentira ao ser contada por várias pessoas, não acaba por se tornar uma verdade para as mesmas”, é uma “tricky question” lol, o que disseste é certamente verdade, mas quando a mentira se torna verdade, quer através da história e do tempo, adquire o valor absoluto da verdade. Pelo menos é o que eu penso… Não sei se consegui responder a alguma das tuas respostas lol, mas acredita que tentei :P .

    Beijo**
    Rui

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